quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Interpretação de texto número 1

fonte:folha de sp

HÉLIO SCHWARTSMAN
SÃO PAULO - Deu no "New York Times"1 que, depois que a Austrália implementou uma nova legislação que tornou os maços de cigarros mais repulsivos, com fotos explícitas das moléstias provocadas pelo tabagismo, fumantes começaram a queixar-se de que o sabor de seus cilindros tóxicos mudara para pior.
Como nada foi alterado no processo de fabricação dos cigarros, a resposta para a sensação dos fumantes só pode estar na psicologia.2 A E B
Nosso cérebro, apesar da aparência de seriedade, é um grande farsante3. Sobretudo nas faixas que operam abaixo do radar da consciência, que correspondem a algo como 98% dos processos, ele preenche os espaços para os quais não há informação com invencionices.4 Isso6 vale para tudo. Um caso emblemático é a visão. As "imagens" que chegam da retina não passam de um borrão desfocado com um grande buraco no meio. As áreas corticais destinadas à visão, valendo-se principalmente de nossa experiência passada, é que vão pacientemente reconstruindo tudo de modo a criar uma interpretação coerente para o que vemos.
As coisas não são diferentes com o gosto7. Ao contrário até, por ser um sentido relativamente pobre, está sujeito a todo tipo de interferência olfativa, tátil e se deixa facilmente levar pelo contexto.7 Uma boa apresentação e um serviço eficiente melhoram o gosto da comida servida no restaurante.8 Psicólogos já provaram que um vinho ordinário de R$ 20 fica bem mais saboroso quando etiquetado como uma garrafa de R$ 90.
Talvez pudéssemos explorar melhor essa faceta de nossas mentes. É possível que, associando desde cedo drogas a valores negativos, consigamos reduzir os casos de dependência sem necessidade de criar custosas e ineficazes máquinas repressivas.9 Minha impressão é a de que algo assim já está acontecendo com o fumo, que vem perdendo adeptos desde que o "Zeitgeist" lhe atribuiu uma carga moral negativa.
helio@uol.com.br
1Substitua o verbo dar de ''deu no N Y TIMES
2'' a resposta para a sensação dos fumantes só2A pode estar2B na psicologia''
A - SE EU TIRAR O 'SO' DESSE EXCERTO TEREI SENTIDO DIFERENTE DO TEXTO ORIGINAL. DÊ OS DOIS SENTIDOS AÍ PRESENTES.
B - SUBSTITUA A LOCUÇÃO VERBAL 'PODE ESTAR' POR OUTRA EQUIVALENTE.
3 - CONVERTA ESSE ESTRUTURA SUBORDINADA EM DUAS ORAÇÕES COORDENADAS.
4 O AUTOR CONSTRUIU UM PERÍODO QUE APRESENTA AMBIGUIDADE. DISTINGA-A E DEPOIS REESCREVA O TRECHO DEIXANDO-O CLARO.
5 O TEXTO, POR SER UMA CRÔNICA APRESENTA MUITAS PALAVRAS EM SENTIDO NÃO LITERAL. APRESENTE 3 DELAS
6 QUE PALAVRA (S) O PRONOME DEMONSTRATIVO 'ISSO' ESTÁ SUBSTITUINDO*.
7  VOCÊ ACHA QUE O AUTOR ACERTA QUANDO USA A PALAVRA GOSTO ( INTERROGAÇÃO). JUSTIFIQUE.
8 O USO DUPLO DA PALAVRA 'GOSTO' EM UM MESMO PARÁGRAFO PODE CONFUNDIR UM POUCO O RECEPTOR NO TEXTO. EXPLIQUE O PORQUÊ.

9 ASSOCIAR DESDE CEDO O CIGARRO A VALORES NEGATIVOS TEM O MESMO SENTIDO DE CRIAR CUSTOSAS E INEFICAZES MÁQUINAS REPRESSIVAS ( INTERROGAÇÃO). JUSTIFIQUE.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS. O CÉREBRO FARSANTE



      • se não conseguir ler este texto ( a edição ficou truncada) vá para o outro post, o chamado interpretação de textos 1
        SÃO PAULO - Deu no "New York Times"1 que, depois que a Austrália implementou uma nova legislação que tornou os maços de cigarros mais repulsivos, com fotos explícitas das moléstias provocadas pelo tabagismo, fumantes começaram a queixar-se de que o sabor de seus cilindros tóxicos mudara para pior.
        Como nada foi alterado no processo de fabricação dos cigarros, a resposta para a sensação dos fumantes só pode estar na psicologia.2 A E B
        Nosso cérebro, apesar da aparência de seriedade, é um grande farsante3. Sobretudo nas faixas que operam abaixo do radar da consciência, que correspondem a algo como 98% dos processos, ele preenche os espaços para os quais não há informação com invencionices.4 Isso6 vale para tudo. Um caso emblemático é a visão. As "imagens" que chegam da retina não passam de um borrão desfocado com um grande buraco no meio. As áreas corticais destinadas à visão, valendo-se principalmente de nossa experiência passada, é que vão pacientemente reconstruindo tudo de modo a criar uma interpretação coerente para o que vemos.
        As coisas não são diferentes com o gosto7. Ao contrário até, por ser um sentido relativamente pobre, está sujeito a todo tipo de interferência olfativa, tátil e se deixa facilmente levar pelo contexto.7 Uma boa apresentação e um serviço eficiente melhoram o gosto da comida servida no restaurante.8 Psicólogos já provaram que um vinho ordinário de R$ 20 fica bem mais saboroso quando etiquetado como uma garrafa de R$ 90.
        Talvez pudéssemos explorar melhor essa faceta de nossas mentes. É possível que, associando desde cedo drogas a valores negativos, consigamos reduzir os casos de dependência sem necessidade de criar custosas e ineficazes máquinas repressivas.9 Minha impressão é a de que algo assim já está acontecendo com o fumo, que vem perdendo adeptos desde que o "Zeitgeist" lhe atribuiu uma carga moral negativa.
        helio@uol.com.br
        1Substitua o verbo dar de ''deu no N Y TIMES
        2'' a resposta para a sensação dos fumantes só2A pode estar2B na psicologia''
        A - SE EU TIRAR O 'SO' DESSE EXCERTO TEREI SENTIDO DIFERENTE DO TEXTO ORIGINAL. DÊ OS DOIS SENTIDOS AÍ PRESENTES.
        B - SUBSTITUA A LOCUÇÃO VERBAL 'PODE ESTAR' POR OUTRA EQUIVALENTE.
        3 - CONVERTA ESSE ESTRUTURA SUBORDINADA EM DUAS ORAÇÕES COORDENADAS.
        4 O AUTOR CONSTRUIU UM PERÍODO QUE APRESENTA AMBIGUIDADE. DISTINGA-A E DEPOIS REESCREVA O TRECHO DEIXANDO-O CLARO.
        5 O TEXTO, POR SER UMA CRÔNICA APRESENTA MUITAS PALAVRAS EM SENTIDO NÃO LITERAL. APRESENTE 3 DELAS
        6 QUE PALAVRA (S) O PRONOME DEMONSTRATIVO 'ISSO' ESTÁ SUBSTITUINDO*.
        7  VOCÊ ACHA QUE O AUTOR ACERTA QUANDO USA A PALAVRA GOSTO ( INTERROGAÇÃO). JUSTIFIQUE.
        8 O USO DUPLO DA PALAVRA 'GOSTO' EM UM MESMO PARÁGRAFO PODE CONFUNDIR UM POUCO O RECEPTOR NO TEXTO. EXPLIQUE O PORQUÊ.
        9 ASSOCIAR DESDE CEDO O CIGARRO A VALORES NEGATIVOS TEM O MESMO SENTIDO DE CRIAR CUSTOSAS E INEFICAZES MÁQUINAS REPRESIVAS ( INTERROGAÇÃO). JUSTIFIQUE.,

      •  HÉLIO SCHWARTSMAN

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A QUESTÃO DOS APÁTRIDAS ...IN HANNAH ARENDT ( NÃO ES´TA PRONTO)

Uma das análises mais fecundas de Arendt, que conserva uma grande atualidade, é aquela do tema dos apátridas. Tendo vivido a experiência de ser jogada no mundo sem lastro ou referência de identidade nacional, quando vagou pela Europa entre 1933 e 1941, e depois quando permaneceu sem a cidadania americana por alguns anos, ela soube fazer dessa questão um tema universal, cujas consequências chegam até nós. O fato de que o mundo passou a conviver com milhões de pessoas rejeitadas, sem ter um estatuto legal definido, é ao mesmo tempo uma das conseqüências da política contemporânea, que resultou na criação dos regimes totalitários, e uma de suas heranças. Ainda hoje, a figura de cidadãos sem direitos em países ditos democráticos é um alerta quanto aos riscos que corremos ao aceitar dividir o mundo entre os que têm direitos e os que vivem numa terra de ninguém onde todos os excessos são possíveis. A recente legislação européia, que permite manter presos, por até dezoito meses, indivíduos destinados à expulsão, mas que não foram julgados, assim como os campos de prisioneiros americanos, situados fora de seu território, demonstram a sobrevivência dessa terra de ninguém, para a qual são mandados os que não podem se beneficiar da proteção integral das leis vigentes nos diversos países.
(...)
Um segundo aspecto importante da herança arendtiana é a capacidade que ela demonstrou de apontar os traços fundamentais que distinguem os regimes extremos do século 20. Ao analisar o papel do líder totalitário e mostrar os laços que o unem às massas desenraizadas e solitárias de nosso tempo, ela soube compreender o significado da solidão num tempo em que as comunicações aparentemente aproximaram os homens. Ao apontar para a progressiva destruição da esfera pública, que implicou o colapso do sistema partidário e em última instância da idéia mesma da pluralidade como valor primeiro das sociedades livres, ela mostrou ao mesmo tempo o lugar do qual nasce a experiência democrática e os limites de suas instituições. Finalmente, ao estudar o papel do terror na estrutura de domínio total, ela apontou para a destruição dos laços éticos entre os homens como a conseqüência necessária de uma sociedade sem política.
Se a referência aos campos de concentração, como fundamento da experiência totalitária, é um dos pilares da investigação de Arendt sobre a face trágica da política contemporânea, do ponto de vista filosófico, a referência ao mal radical – tema que perseguiu a pensadora durante toda sua vida – é o caminho para compreender como ela soube integrar a tradição filosófica de investigação da natureza do mal ao esforço de desvendamento do significado dos horrores que surgiram das entranhas da modernidade. Os estudos de Arendt sobre o totalitarismo esclarecem ao mesmo tempo a face trágica do século 20 e os enormes desafios das sociedades democráticas do século 21.