segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

lÍGIA, APENAS INTERPRETE


PROPOSTA LÍGIA L.


Vida De Cachorro

Os Mutantes

Vamos embora companheiro, vamos
Eles estão por fora do que eu sinto por você
Me dê sua pata peluda, vamos passear
Sentindo o cheiro da rua
Me lamba o rosto, meu querido, lamba
E diga que também você me ama
Eu quero ver seu rabo abanando
Vamos ficar sem coleira
Vamos ter cinco lindos cachorrinhos
Até que a morte nos separe, meu amor!
Composição: Rita Lee/Arnaldo D. Baptista/Sérgio Baptista 
Uauuu, Uauuu, Uauuu... Ahhh... 
Uauuu, Uauuu, Uauuu... Uhhh...


Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau

Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau

Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre

Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro por uma criança pobre

Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha chamada "sua-mãe"

É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe

Esse é o rock de despedida pra cachorra "Sua-mãe)

Seja mais humano, seja menos canino
Dê güarita pro cachorro, mas também dê pro menino
Se não um dia desse você vai amanhecer latindo, uau, uau, uau

Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre

Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre

Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau

Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau


proposta para Lígia L.


O que é um bom médico?

Todo hospital tem um Dr. Hodad. Mantenha distância

CRISTIANE SEGATTO
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CRISTIANE SEGATTO  Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato é cristianes@edglobo. (Foto: ÉPOCA)
Em seu primeiro dia como residente da Universidade Harvard, o cirurgião americano Martin Makary ouviu uma frase que o marcaria para sempre.
“Esse paciente é do Hodad”, disse um dos residentes.
O jovem Makary, encantado por receber treinamento num dos centros médicos mais respeitados do mundo, mal podia esperar o momento de avistar o astro e, se tudo corresse bem, ser aceito como discípulo.
Mais tarde, envergonhado, confessou ao colega que nunca tinha ouvido falar no cirurgião Hodad. O amigo respondeu:
“Dr. Westchester é Hodad. É assim que nós, os residentes, o chamamos. H-O-D-A-D significa Hands of Death and Destruction (mãos de morte e destruição)”.
O médico era um perigo ambulante. O excesso de autoconfiança o levava a cometer sucessivos erros cirúrgicos. Hodad se achava bom em tudo. Arriscava-se e colocava os doentes ao risco ao realizar operações que não eram sua especialidade.
Os pacientes nem desconfiavam. Agradeciam pelo tratamento recebido e o recomendavam aos amigos. O jovem Makary não entendia como os pacientes podiam ter uma percepção tão equivocada de um cirurgião que, sob o julgamento técnico dos colegas, era ruim.
Conseguiu entender quando passou a acompanhar o médico mais velho nas visitas aos pacientes. Hodad era simpático, divertido, caloroso, bom de conversa. Os pacientes o adoravam. Até quando uma complicação ocorria, o que não era raro, Hodad era capaz de arranjar uma desculpa. Os doentes iam para casa convencidos de que ele não errara e felizes por terem estado em boas mãos.
Do ponto de vista técnico, Hodad era uma fraude. Do ponto de vista de popularidade, era um espetáculo.
No mesmo hospital, trabalhava outro cirurgião. Um grandalhão, de cara amarrada e péssimos modos. Grosseiro, na maior parte das vezes. Sempre pronto a humilhar as enfermeiras e outros funcionários.
Os alunos o chamavam de Raptor. Tinham medo dele. Os pacientes também. Raptor acumulava queixas de maus modos no departamento de atendimento ao cliente. Muitos pediam para ser operados por Hodad, o picareta com fama de excelente médico.
Os observadores bem informados ficavam intrigados com a ironia da situação. Apesar de seu comportamento terrível, Raptor tinha qualidade técnica muito acima da média. A incrível precisão cirúrgica e a insistência de se aproximar da perfeição a cada procedimento fizeram dele o cirurgião de melhor reputação entre os colegas. Até os que odiavam seus modos eram capazes de reconhecer sua superioridade técnica.
Ao longo da carreira, Makary viu chefes de Estado, celebridades, CEOs e outros poderosos caírem nas mãos de gente como Hodad, sem ter a menor ideia do risco que corriam. Viu também moradores de rua operados por brilhantes Raptors, sem desconfiar de que eles eram a elite da profissão.
Essa é uma história universal. Quase todo hospital tem um Hodad e um Raptor. E profissionais de todo tipo entre esses dois perfis extremos. No Brasil, é exatamente assim – sobretudo naqueles que são considerados os melhores hospitais.
Se até os poderosos estão sujeitos aos Hodads, como o cidadão comum pode saber se o profissional e o hospital escolhido é bom mesmo?
Podemos escolher hotéis e restaurantes a partir de critérios técnicos, mas somos impedidos de comparar as diferentes instituições de saúde a partir de parâmetros objetivos.
Qual é o índice de infecção do hospital A? E as taxas de complicação do B? Qual é a sobrevida de quem faz uma cirurgia cardíaca ou um transplante aqui ou ali? Esses dados existem. Pelo menos no grupo de 21 hospitais brasileiros que dispõem de um selo de qualidade emitido por uma entidade chamada Joint Commission International.
Por enquanto, porém, essas informações são guardadas a sete chaves. Ainda que um hospital divulgue um ou outro parâmetro (em geral, o que lhe é favorável), não podemos comparar as diferentes instituições.
Makary defende a divulgação desses dados. E acha que, mais cedo ou mais tarde, ela vai acontecer. Por exigência da sociedade. Hoje o americano é um cirurgião reconhecido e comentarista de redes de TV americana como CNN e Fox News.
Ele defende essa ideia no livro Unaccountable: What Hospitals Won’t Tell You and How Transparency Can Revolutionize Health Care (em português, Sem prestar contas: o que os hospitais não contam e como a transparência pode revolucionar o atendimento à saúde). A obra recém-lançada nos Estados Unidos ainda não tem editora no Brasil.  
“Muitos médicos estão tão frustrados com as perversidades do sistema de saúde quanto os pacientes. Um estudo recente demonstrou que 47% dos médicos americanos sofrem de síndrome de burnout (stress crônico provocado pelas condições de trabalho)”, disse Makary a ÉPOCA. “Acho que meu livro se conecta com essas frustrações."
Na complexa e controversa área da saúde, o livro de Makary é um dos melhores que li recentemente. Uma discussão que faz todo sentido no Brasil. Nos últimos dez anos, a parcela de beneficiários de planos de saúde cresceu 50% no país. Hoje somos 47 milhões.
Nas grandes capitais, as obras de expansão dos hospitais estão por todo lado. Ainda assim, as novas alas são insuficientes para atender tanta gente. Há filas de quatro horas nos pronto-socorros e reclamações constantes. Nesse cenário, a qualidade fica comprometida.
Saber qual hospital zela por ela e qual investe apenas em aparência deveria ser um direito do cidadão. Divido com vocês algumas das observações de Makary:
Operar o paciente errado ou um membro errado é o tipo de coisa que nunca deveria acontecer. Ainda assim, descobrimos que ocorrem 80 erros desse tipo toda semana apenas nos Estados Unidos. Mesmo nos melhores hospitais.
O médico que atende as celebridades não é, necessariamente, melhor que os outros. Alguns se tornam famosos porque executam bem algum tipo de procedimento. São bons em alguma coisa específica. Isso não significa que eles sejam bons em tudo. Um médico pode ter muita experiência em cirurgia cardíaca, mas ele não será a melhor opção se o paciente precisar de uma cirurgia de abdome.
Muitos médicos constroem uma reputação, ficam famosos e depois não se atualizam. É péssimo para o paciente. A melhor forma de escolher um médico é se informar sobre a doença e buscar uma segunda opinião.
Há um movimento para tornar a medicina mais transparente. Sou otimista. Chegará o dia em que os hospitais terão de prestar contas sobre seus resultados (taxa de infecção hospitalar, erros de medicação, complicações etc), do mesmo jeito que prestam contas sobre suas finanças.
Segundo Makary, a nova geração de estudantes pensa diferente da velha guarda da medicina. Insistem em saber, com objetividade, o que de fato ocorre atrás das portas fechadas. Que a informação e o anseio por transparência contamine toda a sociedade. É questão de vida ou morte.
(Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras)


DA VOCAÇÃO DE SER MÉDICO
 
                                     Sérgio Martins Pandolfo*


    “Sirva à Medicina por verdadeiro amor a ela e aos doentes. Então, vocacionado, creia na Medicina. Ela é maravilhosa nos seus propósitos e grande nas suas possibilidades. Não há arte que a sobre-exceda. É divina, vem dos céus. F.F.”

     Esta vinheta - encimada com a assinatura de um ilustre colega que já se foi -, à feição de ex-líbris aposta em um compêndio de cirurgia pertencente a esse pranteado seguidor da doutrina de Esculápio, com o qual depois me presenteou resume, à inteireza, tudo o que penso sobre a sublime arte de curar, conquanto desconheça a autoria de tão belo quanto veraz pensamento.
     Nenhuma mais humana na prática do dia a dia. Nenhuma mais divina na obtenção da cura.
     Ser médico é de fato privilégio que a poucos contempla. Que outra ciência ou arte defere aos que a praticam a primazia de exercê-la sobre a matéria nobre, o corpo humano, animado pelo sopro divinal da vida?
     Tem sido assim desde o princípio. Por isso que só os realmente vocacionados para esse assim nobilitante quanto afanoso mister podem aperceber-se, de todo, da grandeza de seu exercício.
     Mais de vinte e quatro séculos são passados desde que Hipócrates fez ditar as regras deontológicas que norteiam a profissão médica e, no entanto, ainda se nos afiguram imperecíveis. O Juramento que nos impôs segue prevalecendo em todos os seus termos imperativos, garantindo a nobreza e dignidade de nosso ofício. E é ainda o pai da Medicina quem nos predica: “Breve é a vida e longa é a arte; a ocasião é fugaz; a experiência é enganosa, o julgamento é difícil”. Todas as facetas e falsetas da Medicina estão aí contempladas.
     O exercício da Medicina impõe, necessariamente, aos que a professam, dedicação, fidelidade, correção, retidão de caráter. Já o Código de Hamurabi - notável governante da Babilônia - circa 2000 antes de Cristo estabelecia a responsabilidade dos médicos frente a seus pacientes.
     Com o crescimento ciclópico da ciência, notadamente nas áreas da biologia, da bioquímica, da metodologia diagnóstica e das disponibilidades terapêuticas, mais e mais se faz indispensável essa entrega livre, espontânea, estreme, do médico à sua profissão, visando a um único objetivo: o bem-estar, a saúde do seu semelhante, da coletividade a que pertence.
     A dedicação à sua ciência e à sua arte, já o dissemos alhures e aqui o reforçamos, deve ser total, deliberada, e a educação continuada, a atualização permanente, a chama revivificadora desse envolvimento, a fim de que o benefício ao paciente seja o mais completo e universal possível. Esses os elementos basilares de tão enobrecedor quanto imprescindível apostolado profissional.
     Nesses mais de quatro décadas e meia de abnegado e permanente idílio com a “doce Senhora” (a Medicina) pude bem aquilatar o quanto é ela exigente, impositiva, exclusivista, tirana às vezes, de tal sorte que, se não a amarmos deveras, logo virá, inexorável e frustrante, a desilusão – como nas uniões inverdadeiras!-, que culminará, mais cedo ou mais tarde, com traumática ruptura.
     Esse o cariz primordial que faz da Medicina uma profissão diferente, superior!

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(*) Médico e Escritor. ABRAMES/SOBRAMES
serpan@amazon.com.br - sergio.serpan@gmail.com
www.sergiopandolfo.com
Sérgio Pandolfo
Enviado por Sérgio Pandolfo em 08/01/2010
Reeditado em 26/10/2012
Código do texto: T2018030 


PROPOSTA LÍGIA L.





Era imensa a expectativa dos consumidores com o lançamento no Brasil dos e-readers – aparelhos para leitura de livros digitais – Kobo Touch, pela Livraria Cultura, no começo de dezembro, e Kindle, da Amazon, poucos dias depois. A concorrência entre grandes livrarias prometia acirrar a disputa, aquecer o mercado e derrubar preços.
Quase um mês mais tarde, não foi o que ocorreu. Por enquanto, os leitores estão sendo mais atraídos pela novidade do produto do que pela economia que pode proporcionar.
É o caso da professora de inglês Juliane Garcia, 28 anos, que se reúne uma vez por mês com seus alunos em um clube de leitura, onde a regra é ler na plataforma digital.
– Às vezes, é complicado achar obras impressas em inglês. Com um e-reader eu acho qualquer exemplar, de maneira quase instantânea – comenta.
Juliane também encontra outras facilidades:
– Posso levar um monte de livros para a praia sem ocupar espaço na mala. Nem sinto falta do cheirinho do papel.
O preço não tão atrativo de um livro digital – além do custo do próprio e-reader – é apontado como um dos motivos para a opção eletrônica não deslanchar no país.
Se depender da situação atual do mercado, vai demorar para que ocorra uma mudança. Levantamento feito por ZH mostra que, para comprar oito dos 10 títulos de ficção mais vendidos do país na versão para o Kindle, o brasileiro economizaria apenas 0,42% em comparação ao que gastaria com livros de papel. Nos Estados Unidos, a economia seria de 44,4%.
A pesquisa foi realizada verificando o custo dos livros digitais em duas grandes redes de livrarias e o valor das edições em papel divulgados em sites de comparação de preços. Quando a cotação é feita com o Kobo, da Livraria Cultura, o resultado é ainda pior: o livro digital vendido pela rede é 10,6% mais caro do que o livro de papel.
No caso dos leitores digitais, os e-readers, a constatação é a mesma: o leitor brasileiro paga bem mais caro pelo mesmo produto. O Kindle custa R$ 299 no Brasil, mais do que o dobro que os americanos pagam: US$ 69 (cerca de R$ 140), em média.
Economia bem menor no Brasil
O Kobo custa por aqui R$ 399 ante US$ 149 (cerca de R$ 300) nos Estados Unidos. Assim, basta um leitor americano comprar os seis primeiros livros da lista de mais vendidos para o investimento no equipamento valer a pena. A partir do sétimo livro, já está economizando. No Brasil, o cálculo semelhante aponta uma economia bem menor. Seria preciso ler 369 obras para a compra do e-reader valer a pena.
Mesmo alheia a esses cálculos, Juliane percebeu na prática que os títulos nacionais não são muito baratos.
O preço alto no Brasil é pressionado em grande parte pelas editoras, responsáveis por estipular o valor de capa no país. Nos Estados Unidos, a redução do preço veio graças à força de um outro personagem na história: o escritor, que, em certos casos, pode negociar a exposição de sua obra diretamente com as livrarias virtuais.
– O mercado americano é muito mais maduro que o nosso. Lá essa negociação direta empurrou o preço do livro para baixo, obrigando as editoras a fazerem o mesmo – explica Ednei Procópio, integrante da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e dono da editora Livrus.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Textos de Eliane Brum são bem valorizados hoje em dia

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/12/o-silencio-nao-existe.html

pedofilia


edofilia: excelente análise da Revista Ciência Hoje

Imposição de um desejo único

O que é a pedofilia? Doença? Falha de caráter? Crime? Qual o perfil do pedófilo? Como se faz o diagnóstico? É possível curá-la? O que a ciência tem a dizer sobre isso? O artigo de capa da CH 275 discute esse tema que mobiliza cada vez mais a sociedade.
Por: Fred Furtado
Publicado em 20/10/2010 | Atualizado em 20/10/2010
Imposição de um desejo único
Psiquiatras, psicanalistas, antropólogos, teóricos da comunicação e ativistas políticos ouvidos por nossa reportagem concordam em um ponto: é preciso avaliar e debater o problema da pedofilia para entendê-lo melhor (ilustração: Há Fael).
Nas últimas décadas, a atração sexual patológica por crianças e pré-adolescentes ganhou nome e deixou de ser um assunto reservado das famílias para se tornar um problema social e político que afeta desde questões médicas até criminais.
Chamada pedofilia, um tipo de perversão sexual para a psicanálise e psiquiatria, essa doença passou a representar muito mais que uma condição médica e hoje é um termo que abrange várias manifestações de violência e polui a discussão sobre o tema pela forte carga emocional que o cerca.
A quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM IV-TR, na sigla em inglês), publicação da Associação Americana de Psiquiatria (APA), define a pedofilia como uma parafilia, um tipo de transtorno em que o prazer sexual não é obtido com a cópula, mas por meio de outra atividade ou objeto de desejo sexual.
O termo ‘pedofilia’ abrange várias manifestações de violência e polui a discussão sobre o tema pela forte carga emocional que o cerca
Mais especificamente, ela se caracteriza por interesse sexual por crianças pré-púberes (13 anos ou menos) da parte de indivíduos com 16 anos ou mais ou que sejam pelo menos cinco anos mais velhos, sendo que esse desejo se manifesta por um período mínimo de seis meses. O diagnóstico poderia ser feito se o interesse foi levado a cabo ou se causou acentuado sofrimento ou dificuldades pessoais.
O psiquiatra e psicanalista Luís Alberto Helsinger, coordenador do curso de Teoria e Clínica da Perversão da Sociedade Brasileira de Psicanálise, é critico do DSM. “Os norte-americanos são muito bons para parametrizar e sistematizar as coisas, mas isso nem sempre funciona”, observa. Ele explica a pedofilia sob o ângulo da psicanálise.
“O que faz desse problema uma patologia é o fato de o indivíduo só atingir o gozo, o prazer sexual única e exclusivamente por meio do objeto escolhido, o fetiche. Esse é um dado importante: aquele que sofre de perversão sexual não consegue realizar seu desejo de outra maneira que não seja com seu fetiche”, reitera Helsinger, acrescentando que esse objeto pode ser qualquer coisa, por exemplo, uma bota, um olhar ou uma criança, como no caso da pedofilia.
A definição é importante, pois nem todo caso de violência sexual contra crianças se enquadra na pedofilia. “Um pai que chega bêbado em casa e estupra a própria filha não é um pedófilo se ele consegue ter relações sexuais e obter prazer com mulheres adultas”, explica o psicanalista.
Na mesma linha, alguém que produza material pornográfico contendo crianças não necessariamente sofre de uma perversão, embora possa estar alimentando um público com a doença. Contudo, todos esses exemplos – o pai, o produtor e os clientes – hoje são criminosos perante a lei.
 

Perfil de um escravo

Mas o que faz alguém se tornar um pedófilo? Seria possível nascer com essa doença? Helsinger afirma que não. A pedofilia seria um problema de cunho psicológico originário de um trauma ou de pressões culturais que levam a pessoa a procurar uma forma de gozo exclusivamente focada em crianças. 
“Alguém que sofreu abusos na infância pode querer, como disse [o médico austríaco Sigmund] Freud [1856-1939], repetir ativamente o que sofreu passivamente. A pedofilia pode surgir também em ambientes supererotizados onde há um estado ambíguo de lei e ausência de lei, como em famílias nas quais há muitos irmãos de pais diferentes”, esclarece o psicanalista.
“Embora se sintam senhores da situação, os pedófilos são escravos de um único desejo. Pior: são escravos que se creem livres”
Ele também informa que, apesar de existirem mulheres que sofrem de pedofilia, o número esmagador de casos é de homens. “As mulheres tendem a usar os bebês e os filhos como bons fetiches, alvos de ternura e amor”, comenta.
Os pedófilos também estão longe de ser um grupo homogêneo, já que apresentam interesses por crianças de idades distintas. Segundo Helsinger, aqueles que procuram as mais jovens, as veem como objetos fracos e totalmente dominados, sobre os quais podem exercer seu poder.
Já os que se interessam pelas mais velhas procuram um ritual de abuso ligado à sedução. “Embora se sintam senhores da situação, a verdade é que os pedófilos, bem como os outros indivíduos com perversões, devido a seu gozo específico, são escravos de um único desejo. Pior: são escravos que se creem livres”, afirma.
Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 275. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. PDF aberto (gif)

ntérpretes do Brasil - Roberto Da Matta- Parte 1. fala dos indiois

http://www.youtube.com/watch?v=fKhQNNSrGvk